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28 Maio 2015

Lembrar denuncia o tempo

Lembrar denuncia o tempo. E o tempo quando passa nos amadurece e, em alguns casos, apodrece. Estamos envelhecendo, amadurecendo, crescendo. Tornamos-nos adultos, ou crianças crescidas? Bom, não importa, o que importa é matar as saudades e rememorar os bons tempos em que sentávamos a baixo das mangueiras, jaqueiras e outras árvores frutíferas para jogar conversa fora e tocar boas músicas ao violão. Tempo em que explodíamos vasos e descargas, implodíamos desejos e aspirações com “bomba de 1000”, tempo em que íamos para o “Milton” bebericar e comer tripa de porco frita, tempo de Alfredo Barbosa, Noé, Airton e de coordenadoras inesquecíveis como Lituânia. Tempo dos Festivais de Artes e das festas que se revezavam entre as casas de um e outro (a minha foi palco de muitas dessas). Tempo das primeiras paixões e das primeiras frustrações amorosas, tempo dos amigos de outrora. Tempo em que noites frias de inverno eram regadas a poesias de Vinicius de Morais, Paulo Lemiski, Cecília Meireles… e calorosas discussões sobre filosofia, e teorias Freudianas, tempo da construção do nosso futuro calcado no presente daquelas horas. Tempo de deslumbrar-se com pequenas descobertas e de chorar com minúcias das decepções. Tempo de sonhar e de acreditar que era possível mudar o mundo. Tempo de castigo, broncas e dos erros corriqueiros da juventude. Tempo de errar e ter tempo de voltar a traz, tempo em que o tempo era algo que possuíamos. Tempo de se descobrir e de sonhar… Desse tempo, ficou o saudosismo latente em nossa lembrança nostálgica que nos conduz para frente sem esquecer a beleza pura e rara que guardamos em nossas memórias.

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